Observatório Astronômico de Lisboa completa 150 anos
O Observatório Astronômico de Lisboa representa um dos maiores patrimônios históricos da astronomia mundial, orgulha-se das contribuições feitas no campo da astronomia e da fama internacional que deu a Portugal. Em 2011 completa a marca de 150 anos de história.
Na comemoração dos 150 anos do OAL, o observatório será palco de uma “Astrofesta”, no próximo fim de semana, aberta ao público.
O Observatório Astronômico de Lisboa é uma instituição que desenvolveu excelentes competências em trabalhos de astrometria no século XIX e parte do século XX, o que lhe granjeou fama internacional. Atualmente as atividades e objetivos incluem globalmente as pesquisas científicas e histórica, a preservação e divulgação patrimonial e a oferta de um serviço público de excelência. Projetado pelo arquiteto francês Jean Colson ficou concluído em 1867. Localiza-se na Tapada da Ajuda, freguesia de Alcântara, na cidade de Lisboa.
A HISTÓRIA
O Observatório Astronômico de Lisboa foi criado pela Carta de Lei de 6 de Maio de 1878 e nasceu de uma grande controvérsia entre o diretor do Observatório de Paris Hervé Faye e o astrônomo Peters do Observatório de Pulkovo, na Rússia, sobre a paralaxe da estrela de Argelander.
A construção do OAL, deveu-se à forte vontade de construir uma instituição magnífica, uma referência na cultura portuguesa. A fundação foi enraizada em meados do século XIX com o objetivo da promoção da nova Astronomia Sideral, descoberta e compreensão do infinito Cosmos, e a preocupação com o exato mapeamento do céu e a medição do tamanho do Universo. Foi então sugerido que se fizessem observações em Lisboa, único local em todo o continente europeu em que era possível fazer observações da referida estrela de Argelander utilizando uma luneta zenital. Para tal, era necessária a edificação de um novo observatório onde se pudesse instalar o equipamento adequado. Tal veio a tornar-se realidade, devido ao apoio do rei D. Pedro V e de outras personalidades da vida política da época.
A planta do edifício, inspirada no edifício do Observatório de Pulkova, na Rússia, foi executada pelo arquiteto francês Jean Colson, que na altura era dos mais distintos arquitetos estrangeiros residentes em Lisboa. Wilhelm Struve, diretor de Pulkovo e famoso astrônomo, ofereceu seus serviços ao Governo Português e foi considerado o principal conselheiro que desempenhou um papel muito importante, desde a escolha dos equipamentos, a orientação do astrônomo, Frederico Augusto Oom, que recebeu durante um estágio aproximado de 5 anos. Este Tenente da Marinha e Engenheiro Hidrógrafo, que veio a ser o primeiro diretor do Real Observatório Astronômico de Lisboa, teve um papel muito importante em toda a fundação deste edifício.
Após o apoio financeiro e empenho que o Rei D. Pedro V dispensou a este projeto, foi iniciada a sua construção a 11 de Março de 1861, já no tempo do Rei D. Luís I, que igualmente contribuiu com financiamento retirado da sua dotação pessoal, que apenas terminaria em 1867, ano em que se iniciaram as observações astronômicas.
O Observatório foi instalado nos arredores da “Lisboa de Então” na atual Tapada da Ajuda, em terrenos prontamente oferecidos por este monarca, lugar onde o rei costumava caçar. Desde a sua criação no século XIX e durante grande parte do século XX, o Observatório Astronômico de Lisboa destaca-se pelo seu excelente trabalho em astrometria.
Participou em várias campanhas internacionais, nomeadamente, a campanha internacional, em 1900-1901, para melhorar o valor da UA (unidade astronômica) usando a oposição do asteróide Eros recentemente encontrados. Teve também a contribuição do diretor, Campos Rodrigues, além de outros astrônomos locais, para produzir um catálogo Estrelas de referência de elevada qualidade.
Os resultados do OAL foram tão bons que Lisboa era o único observatório contribuindo com dados de peso e todas as 3800 observações foram utilizados para calcular o catálogo. Campo Rodrigues recebeu o prémio Valz em 1904 da Academia Francesa das Ciências pela excelência do trabalho que estava sendo feito em Lisboa.
