Cidade de Marinha Grande

Bandeira de Marinha Grande
HISTÓRIA
“Recuemos dois séculos e meio. Numa obscura aldeia de terras arenosas, sombreada pelo Pinhal, mãos anônimas erguem um forno. Alguém lhe chega o primeiro lume, alguém compõe o primeiro enfornamento. Pela primeira vez alguém colhe, sopra, dá forma… Nunca saberemos quem foram. E no entanto, a partir dos seus gestos começava a tomar uma realidade que dominaria a história da povoação que, ao longo de vinte e cinco décadas, havia de tocar, com maior ou menor intensidade, a vida de cada marinhense, que havia de ser a própria vida de tantos e que nunca saiu das práticas e dos discursos e dos sonhos locais. Como se até hoje chegasse ainda o sopro do vidreiro.”
A ausência de fontes que, com segurança, determinem a origem da povoação da Marinha Grande impedem de precisar a data do seu nascimento. No entanto, vários documentos sugerem que nos séculos XI e XII instalaram-se na região colonizadores, que extraíam sal das marinhas formadas pelas águas salgadas trazidas pelas marés do Lis, na altura navegável até ás portas de Leiria. Foi, de fato, ao vale do Lis e à atividade florestal e ao desenvolvimento que daí derivou, que se deve a fixação das populações e o aumento da pequena aldeia que, à medida que evoluía ia também mudando de nome. No meio de campos agrícolas, a indústria vidreira transformou a Marinha Grande num importante centro fabril, introduzindo uma dinâmica própria no espaço local.

- Brasão de Marinha Grande
É, de fato, devido a circunstâncias várias – de entre as quais os recursos existentes, nomeadamente a extensa mancha florestal, de onde se extraía a lenha , as areias silicosas, o kali e a proximidade de boas argilas – que se deve a transferência da Real Fábrica de Vidros do antigo concelho de Coina para a Marinha Grande, em 1748, ficando esta sob administração de John Beare.
A história da formação e desenvolvimento do concelho está intimamente ligada à indústria do vidro, que aqui encontrou condições geográficas favoráveis ao seu estabelecimento.
Contudo, é a partir de 1769, sob a administração de Guilherme Stephens- homem de caráter empreendedor e grande industrial – que se deve o maior desenvolvimento da indústria do vidro. O reacender desta indústria e consequente crescimento são justificados pelas regalias dadas ao industrial por Marquês de Pombal, nomeadamente: a permissão para adquirir, por compra ou arrendamento o edifício e pertences da antiga fábrica; a proteção régia direta à fábrica; um empréstimo de 32 contos sem juros e a cedência gratuita de lenha do Pinhal do Rei.
Relativamente à última regalia, ainda hoje é possível encontrar uma referência. À entrada do Museu do Vidro (antigo Palácio Stephens) encontra-se um marco de pedra datado de 1776, onde se pode ler: “Por ordem de Sua Majestade todas as lenhas do Pinhal que estão em uma légua o redor deste marco pertencem à Fábrica de Vidros”.
Stephens, cumprindo as instruções de Pombal , adquire os terrenos onde se situava a velha fábrica de John Beare, assim como o que restava desta, e com a ajuda do pessoal vidreiro que havia ficado sem emprego aquando do encerramento da fábrica, consegue repor a laboração da mesma em tempo considerado record ( 16-10-1769 ).
Com a morte de Guilherme Stephens, sucede-lhe o irmão João Diogo Stephens que dá seguimento à “obra” até 1826, ano da sua morte. A fábrica é, então, legada à Nação, por meio do testamento de Diogo Stephens, passando por várias administrações até à entrega da Fábrica, em 1919, a uma Comissão Administrativa, constituída por membros do Governo e marinhenses.
Essa Comissão falhou e desmembrou-se, seguindo-se-lhe, até 1966, a administração de Acácio Calazans Duarte, que consegue recuperar a fábrica. Designada em 1954 “Fábrica Escola Irmãos Stephens” passou a empresa pública, depois do 25 de Abril de 1974, e, posteriormente, Sociedade Anônima, conhecendo administrações e conflitos laborais, que levaram ao seu encerramento em 29 de maio de 1992.
Atualmente, a parte da fábrica que continua a laborar, é propriedade do empresário dinamarquês Jorgen Mortensen. Em 1992, a fábrica já não é o esteio da vida econômica local, na medida em que outros setores produtivos – moldes, plásticos, cartão, etc. começaram a assumir primazia.
Embora a economia desta cidade já não viva exclusivamente da atividade vidreira, não se poderá negar a sua importância no contexto histórico, social e económico.
A demografia, as modalidades de ocupação do espaço, a estrutura económica e social, as atitudes face à cultura ou ao associativismo, a elaboração de discursos e práticas de identidade local, evoluíram durante larguíssimas décadas, sob forte influência desta atividade. A introdução, desenvolvimento e evolução do fabrico do vidro é, sem margem para dúvidas, o fato mais saliente da história marinhense dos últimos 250 anos.
LOCALIZAÇÃO

- Localização de Marinha Grande
Marinha Grande é uma cidade portuguesa no distrito de Leiria, região Centro e sub-região do Pinhal Litoral, com 9 130 habitantes.
É sede de um município com 187,24 km² de área e 38 681 habitantes (2011), subdividido em 3 freguesias.
O município é limitado a norte e leste pelo município de Leiria, a sul por Alcobaça e a oeste tem litoral no Oceano Atlântico.
Desde o princípio do século até à década de 90, a evolução demográfica da Marinha Grande tem sido positiva. Nos últimos anos, tem apresentado taxas de crescimento superiores à sua área envolvente, tomando como referência o distrito de Leiria ou o Pinhal Litoral.
O desenvolvimento do setor industrial na Marinha Grande, está na base de tal crescimento populacional.
Aquando do Recenseamento da População em 1991, a freguesia da cidade da Marinha Grande possuía 26 628 habitantes, sendo 13 000 homens e 13 628 mulheres.
De acordo com os censos preliminares, referentes a 2001, a freguesia da Marinha Grande, registou um aumento populacional na ordem dos 6,4%, contando a mesma com um total de 28 329 habitantes.