E.Coli já causa prejuízos de 5 milhões a agricultores portugueses
O alarme provocado pelo surto de E. Coli na Europa resultou em enormes quedas no consumo de saladas, e os produtores portugueses já acumulam cinco milhões de euros de prejuízos, disse Manuel Évora, o responsável da associação Portugal Fresh.(Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, representa 23 empresas de várias regiões do país.) “Segundo o balanço que fizemos ontem (06/06), já temos um prejuízo acumulado de cinco milhões de euros desde a semana anterior”, alertando que a situação pode piorar.
“Nesta semana existe uma super-produção que era destinada a um super-consumo”, que era previsível devido aos festejos dos santos populares, mas se os consumidores não retomarem a confiança os prejuízos podem chegar aos dez milhões de euros já nos próximos dias.
Mais de 2.000 pessoas na Alemanha e noutros países foram afetadas pela bactéria E. coli, das quais 22 já morreram.
Os pepinos espanhóis foram inicialmente apontados como foco da contaminação e as autoridades alemãs investigaram posteriormente rebentos de plantas de soja e outros legumes, mas as suspeitas não se confirmaram em nenhum dos casos.
“A grande esperança dos produtores portugueses, e penso que dos outros países, é que saia hoje alguma comunicação das entidades europeias que dê algum conforto à população para consumir os hortícolas”, salientou Manuel Évora.
Os ministros da Agricultura europeus encontram-se hoje, no Luxemburgo, para uma reunião extraordinária a fim de analisar a crise da E.coli e debater apoios para o setor frutícola.
Mas para o presidente da Portugal Fresh, mais importante do que o valor que vai ser discutido, é tranquilizar os consumidores: “Era essencial que as autoridades europeias e portuguesas adotassem uma atitude de confiança e que influenciasse positivamente o consumo dos hortícolas porque não há razão nenhuma para este alarmismo”.
Manuel Évora enfatizou que “não há certeza nenhuma de que o foco de contaminação seja os hortícolas”, acrescentando que “o que tem sido provado é que, em Portugal, todas as análises feitas deram negativo”.
O mesmo responsável sublinhou que “os produtores portugueses são muito controlados”, quer pelas entidades que acompanham as culturas, quer pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
