Cidade de São João da Madeira

HISTÓRIA

Bandeira de São João da Madeira

Bandeira de São João da Madeira

As origens de São João da Madeira remontam a um período prévio ao da formação da nacionalidade, como comprovam duas cartas de venda, em pergaminho, datadas de 1088, onde é referida a “uilla de Sancto Ioanne que dicent Mateira”.

O topônimo “Madeira” parece ter a ver, segundo os historiadores, com a abundância arborícola da região. Estes dois manuscritos podem-se encontrar no arquivo da cidade, sito nos Paços da Cultura.Durante muitos séculos, São João da Madeira passou despercebida no contexto nacional.

Em meados do século XIX, contudo, opera-se uma mudança dramática na história local. A pequena aldeia de São João da Madeira acabaria por se tornar num dos maiores focos da Revolução Industrial em Portugal, transformando-se, num intervalo reduzido de anos, num dos maiores pólos industriais do país. A produção de chapéus é a primeira atividade industrial que se fixa.

A primeira fábrica implanta-se em 1802. António José de Oliveira Júnior, um ex-operário, foi um dos maiores impulsionadores da indústria na localidade, fundando, em 1892, a primeira fábrica de de chapéus de pêlo, e, em 1914, aquela que se tornaria um dos maiores símbolos de São João da Madeira – a Empresa Industrial de Chapelaria. Totalmente mecanizada, quando começou era a maior fábrica da Península Ibérica. Acompanhou a história da indústria de chapelaria em Portugal e hoje, o que resta do edifício aloja o Museu da Chapelaria. Oliveira Júnior viria a ser reconhecido na altura pelo próprio Governo, que lhe concedeu o diploma de Mérito Industrial e Agrícola, e é figura grata na sua cidade, que ergueu um busto em sua honra e ofereceu o seu nome a uma das principais ruas da cidade.

Brasão de São João da Madeira

Brasão de São João da Madeira

Em 1908, a inauguração da linha ferroviária – linha do Vouga – em São João da Madeira, pelo rei Manuel II de Portugal, contribuiu para potenciar ainda mais a onda de empreendedorismo.

No primeiro quarto do século XX, com o crescente progresso e instalação de indústrias, a explosão demográfica e social foi de tal ordem que, num intervalo curto de tempo, a aldeia de São João da Madeira ultrapassou em população a sua sede de concelho, Oliveira de Azeméis, bem como a da histórica Vila da Feira. Num período de quatro anos, São João da Madeira adquiriu o estatuto de vila (1922) e a sua autonomia administrativa (1926), por desmembramento do concelho de Oliveira de Azeméis.

No decreto nº 12.456, o Governo considerava São João da Madeira o “centro industrial mais importante do distrito de Aveiro”, cujo desenvolvimento económico e social estava a ser “prejudicado, sufocado pela sua inferior categoria administrativa”.

A independência administrativa foi fruto de uma lenta estratificação histórica local, tendo desempenhado um papel relevante nesta conjuntura a imprensa local, nascida de “um grupo de rapazes com sangue a estuar nas veias e ansiosos pelo progresso constante de São João da Madeira”, grupo de notáveis sanjoanenses que constituíram o “Grupo Patriótico Sanjoanense”, liderados pelo padre jesuíta e historiador português Serafim Leite.

Já com a sua autonomia administrativa, em plena Segunda Guerra Mundial, a indústria do feltro cresce com rapidez em Portugal. Nos anos quarenta, a produção de pêlos e feltros é centralizada em S. João da Madeira, com a criação, em 1943, da Cortadoria Nacional do Pêlo, a única fábrica do país que trabalha os pêlos, nacionalizada em 1945.

Em 1946, dos 1775 operários da indústria de chapelaria em Portugal, 1212 trabalhavam em São João da Madeira. A indústria de chapelaria era um importante ramo da actividade industrial em Portugal, e São João da Madeira era a sua sede.A atividade na região foi imortalizada pelo escritor João da Silva Correia, no seu romance “Unhas Negras”.

Esta expressão pejorativa designava os operários da indústria dos chapéus que, em virtude do árduo trabalho em caldeiras de vapores designadas de fulas, ficavam com as unhas deterioradas e tingidas de preto. O termo acabaria por se generalizar, servindo para designar, durante muito tempo, todos os habitantes de São João da Madeira. A palavra Labor, no escudo da cidade, pretende significar precisamente que foi à custa do trabalho dos seus “Unhas Negras” que a cidade se desenvolveu e emancipou.

A atividade da chapelaria viria, no entanto, a decair nas décadas seguintes, com o desuso deste utensílio têxtil por parte da população. Paralelamente, a indústria do calçado foi crescendo, acabando por se tornar a principal atividade econômica da cidade e tornando São João da Madeira conhecida como a “Capital do Calçado” em Portugal.

GEOGRAFIA

A cidade de São João da Madeira encontra-se no extremo norte do distrito de Aveiro e região da Beira Litoral, ocupando posição central na sub-região de Entre Douro e Vouga. Faz fronteira a Norte com a freguesia de Milheirós de Poiares e a Oeste com a freguesia Arrifana, ambas do concelho de Santa Maria da Feira, a Sul com a freguesia de Cucujães e Vila Chã de São Roque, e a Este com Nogueira do Cravo e Macieira de Sarnes, do concelho de Oliveira de Azeméis.

Está a 18 km da Costa Marítima, a 32 km do Porto, 40 km de Aveiro e 275 km da capital Lisboa.São João da Madeira assenta sobre o dorso maciço de uma airosa colina, entre os 50 e os 300 metros de altitude. A cidade é atravessada no seu maior eixo, norte-sul, pelo rio Ul.O clima de S. João da Madeira é marítimo. De Inverno os índices de pluviosidade são altos e os Verões curtos e secos.

LOCALIZAÇÃO

Localização de São João da Madeira

Localização de São João da Madeira

São João da Madeira é uma cidade portuguesa com 21 762 habitantes (2008), situada na região Norte, sub-região de Entre Douro e Vouga e fazendo parte da Grande Área Metropolitana do Porto e do Distrito de Aveiro.

É sede do menor município português em área, possuindo apenas 8,11 km², correspondendo à área da cidade, o que lhe confere uma elevada densidade populacional: 2 683 hab/km².O município é limitado a norte e oeste pelo município de Santa Maria da Feira e a este e sul por Oliveira de Azeméis.

São João da Madeira é um dos cinco municípios de Portugal com apenas uma freguesia.

Apesar das suas limitadas dimensões, São João da Madeira é, em termos populacionais, a segunda maior cidade do distrito de Aveiro e a maior cidade da região Entre Douro e Vouga. O seu forte desenvolvimento, na segunda metade do século XX, levou à expansão da sua área urbana para fora dos limites do seu pequeno concelho. A sua verdadeira área urbana possui cerca de 50 mil habitantes, resultado da população das freguesias dos concelhos vizinhos que fazem fronteira com a cidade, dos quais se destacam Cucujães (11.000 habitantes), Arrifana (8.000), São Roque (5.000) e Milheirós de Poiares (4.000).

Tornou-se município autônomo da vizinha Oliveira de Azeméis em 11 de Outubro de 1926, tendo sido elevado ao estatuto de cidade em 28 de Junho de 1984, pela lei n.º 13/84.

São João da Madeira é conhecida em Portugal pela sua tradição na área industrial, nomeadamente em relação ao fabrico de chapéus e calçado.

É reconhecida no país como “Capital do Calçado” e a cidade do trabalho. Nos últimos anos, tem sido distinguida, em estudos de qualidade de vida, como uma das melhores cidades em Portugal para se viver.

Em 2010, São João da Madeira recebeu, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, o prémio de melhor município para se viver em Portugal, resultado obtido pelo estudo do Instituto de Tecnologia Comportamental, publicado no semanário Sol.

 

 

 




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